Questões discursivas da OAB: como responder e onde se perde ponto
A questão discursiva não é peça em miniatura nem redação dissertativa. É uma resposta curta que precisa entregar, de forma localizável na folha, cada coisa que o enunciado pediu — a resposta direta, o fundamento em que ela se apoia e a ligação com o fato do caso. Quem perde ponto aqui quase nunca perde por não saber a matéria: perde por responder metade da pergunta, por concluir sem fundamentar ou por escrever muito sobre o item que já tinha pontuado.
Resumo rápido
- Antes de escrever, conte: quantas coisas o enunciado pede? Cada verbo no imperativo costuma virar um item separado na correção.
- A forma que pontua: resposta direta → fundamento com endereço → aplicação ao fato do caso.
- O erro mais caro: responder bem só a primeira parte de uma pergunta que tinha duas.
- Extensão não é nota: texto sem item novo não acrescenta ponto e come o tempo da peça.
- Melhor custo-benefício de treino: curta o bastante para você fechar o ciclo — escrever, corrigir, reescrever — várias vezes na mesma semana.
- Prova do 47º: 18/10/2026 — faltam ~10 semanas.
Escreveu uma resposta de treino e não sabe se ela pontuaria? A primeira correção completa é de graça — com o detalhamento item a item, não só a nota.
Corrigir 1ª peça grátis1. O que a banca está comprando numa discursiva
Na peça, boa parte da pontuação mora na moldura: endereçamento, qualificação, pedidos, fechamento. São itens que existem independentemente do mérito e que se ganha por executar o padrão.
A discursiva não tem moldura. Ela é praticamente só conteúdo — e por isso a correção dela é ainda mais literal: o examinador tem uma lista curta de itens e procura cada um no seu texto. Encontrou, paga a fração; não encontrou, não paga. Não existe crédito por "o candidato claramente sabia", porque o corretor lê a folha, não a sua intenção.
A consequência prática é desconfortável: uma resposta que você considera boa pode valer menos que uma resposta que você considera burocrática, se a burocrática tiver os itens e a boa tiver dois deles subentendidos. Treinar discursiva é, em grande parte, treinar a deixar explícito o que você acha óbvio demais para escrever.
É a mesma lógica de pontuação por critério que vale para a peça — a lista que usamos para pontuar e os limites do método estão abertos em como o Espelho corrige.
2. Antes de responder, conte o que foi perguntado
Este é o passo que separa a maioria das respostas medianas das que pontuam cheio, e ele leva menos de um minuto.
Leia o enunciado com um lápis e marque cada verbo que manda você fazer alguma coisa: responda, indique, aponte, justifique, fundamente, explique, diferencie. Cada um deles costuma corresponder a um item separado na correção. Uma pergunta que termina com "responda, de forma fundamentada, se X é possível e qual a consequência de Y" não é uma pergunta: são três encomendas — a resposta sobre X, o fundamento dela, e a consequência de Y.
Escreva os itens numerados na margem antes de começar. Depois de terminar, use a mesma lista como checklist: cada número tem uma frase correspondente na sua resposta? O item que não tiver não vai pontuar, e ele geralmente não está faltando por desconhecimento — está faltando porque a resposta ganhou vida própria no primeiro parágrafo.
Este guia trata do método de responder. Ele não afirma quantas questões a sua prova tem, quanto cada uma vale, quantas linhas você pode usar nem quais conteúdos serão cobrados: isso muda a cada exame e está no edital e no espelho oficial publicados pela FGV/OAB. Conteúdo informativo sobre técnica de prova — não é orientação jurídica.
3. A anatomia de uma resposta que pontua
Três movimentos, nesta ordem. O esqueleto abaixo é genérico de propósito — as lacunas entre colchetes são o que muda de questão para questão:
Repita os três movimentos para cada item que você contou no passo 2. Uma resposta com dois pedidos tem dois blocos, não um bloco longo em que o segundo pedido aparece de relance no meio.
4. Cinco jeitos de perder décimos numa resposta curta
Checklist genérico de execução, para conferir antes de dar uma resposta por pronta. Ele não substitui a lista de critérios do seu exame — cada prova tem a sua, publicada pela banca no espelho oficial.
- Responder metade. O enunciado pedia duas coisas e você desenvolveu brilhantemente a primeira. A segunda fração fica na mesa, e nenhuma qualidade da primeira compensa.
- Concluir sem fundamentar. A resposta certa, dita com segurança, sem dizer em que se apoia. Costuma pontuar só o item da conclusão e zerar o item do fundamento — dois critérios distintos, não um.
- Fundamentar sem endereço. Descrever a regra "por cima" quando o critério pede a indicação do dispositivo. É o erro do candidato que sabe o suficiente para explicar e não o suficiente para apontar.
- Não descer ao caso. Uma exposição correta sobre o instituto, sem uma linha que ligue à situação do enunciado. Responde ao tema, não à questão.
- Escrever demais no item já pago. Texto que não traz item novo não acrescenta nota — mas consome linhas, tempo e a energia que faltaria na questão seguinte. Terminar cedo uma discursiva completa é vitória, não desperdício.
Dá para descobrir qual desses cinco é o seu sem esperar o resultado da prova.
Corrigir 1ª peça grátis5. Por que a discursiva é o treino de melhor custo-benefício
Uma peça completa exige um bloco de tempo que a maioria das pessoas só tem no fim de semana. É por isso que tanta gente treina menos do que gostaria: não por preguiça, por agenda.
A discursiva resolve isso. Ela é curta o bastante para caber num dia comum — e o ciclo que faz efeito (escrever, corrigir, reescrever o que perdeu ponto) cabe inteiro numa sessão. Na prática, você consegue fechar vários ciclos por semana em vez de um, e cada ciclo fechado ensina mais que duas peças escritas e nunca revisadas.
E o músculo é o mesmo. Responder exatamente o que foi pedido, com fundamento localizável e aplicação ao caso, é a habilidade que decide a peça também — só que na discursiva ela aparece sem a moldura por cima, o que torna o erro mais fácil de ver. Quem trata as discursivas como "o que sobra depois da peça" está descartando o formato mais barato de treinar a coisa mais cara da prova.
O ciclo completo — e por que reescrever é a etapa que quase todo mundo pula — está no guia como treinar para a 2ª fase da OAB.
6. O ciclo aplicado à discursiva
- Use questões de provas anteriores da sua área. São o material mais fiel ao que a banca cobra e estão publicadas. Enunciado inventado treina escrita, não calibragem.
- Cronometre. Sem relógio, você treina a versão de si mesmo que tem tempo sobrando — que não é a que vai fazer a prova. O tempo é parte do exercício, não um detalhe.
- Escreva sem consultar. Com o material aberto ao lado, você treina reconhecimento; a prova cobra produção.
- Corrija por item, não por impressão. A pergunta não é "ficou boa?" — é "quais dos itens que o enunciado pediu estão na minha folha, quais estão pela metade e quais não estão".
- Reescreva só o que não pontuou. Não copie a resposta inteira. Pegue o item zerado e reescreva aquele trecho até ficar defensável. É o passo que transforma correção em aprendizado.
7. Como saber se a sua resposta pontuaria
Aqui está o limite da autocorreção, e ele é mais severo na discursiva do que na peça. Numa peça você consegue conferir sozinho boa parte da moldura: o endereçamento está lá ou não está. Numa resposta curta, quase tudo é mérito — e mérito é exatamente onde o seu cérebro trapaceia a seu favor.
Ao reler o que você acabou de escrever, você completa mentalmente o que ficou faltando: sabia o fundamento, lembra de ter pensado nele, e lê a folha como se ele estivesse ali. O corretor não faz essa gentileza. Por isso a autocorreção sincera quase sempre superestima a nota — e por isso o diagnóstico precisa vir de fora, com uma lista de itens explícita e o trecho apontado.
É o que o Espelho faz: você envia a peça ou a resposta (colada, em PDF ou foto do manuscrito) e recebe a nota estimada no padrão FGV com o espelho item a item — o que foi encontrado, o que foi encontrado pela metade e o que não estava na folha, com o trecho. A primeira correção completa é gratuita, incluindo o detalhamento, não só a nota.
Perguntas frequentes
- Discursiva é peça em miniatura? Não. A peça paga a moldura formal; a discursiva paga quase só o conteúdo. Escrever uma como se fosse a outra gasta linhas em partes que não valem ponto ali.
- Escrever mais aumenta a nota? Não por si só. A correção procura itens; texto sem item novo não acrescenta nota e custa tempo.
- Preciso decorar número de dispositivo? A página não afirma o que a sua prova exige — confirme no edital e no espelho oficial. O que é seguro dizer é que, quando o critério pede a indicação, parafrasear a regra costuma não substituir.
- Posso treinar discursiva no celular? Para escrever, prefira à mão: a prova é manuscrita e a caligrafia sob pressão também é treino. Para corrigir, a foto das páginas resolve.
- Sem peça pronta, tenho o que mandar corrigir? Tem. Uma resposta discursiva de treino já é material suficiente para um primeiro diagnóstico item a item.
Uma resposta sua, corrigida item a item.
Envie uma peça ou uma resposta discursiva de treino e receba, em cerca de 2 minutos, a nota estimada no padrão FGV e o espelho item a item — de graça, com o detalhamento completo. Para treinar sem limite até 18/10, existe o Passe 47. O Espelho não promete aprovação nem substitui a correção da banca.